(re)inventando a educação

fevereiro 17, 2010

Alerta educacional

Filed under: educação — Marco Antônio Bomfoco @ 4:57 pm
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O Relatório de Monitoramento da Educação para Todos 2010, da Unesco, chama a atenção para a ineficiência com que o Brasil investe na educação.

O Brasil avançou em números nas últimas décadas: a estatística mais conhecida refere que mais de 90% das crianças de sete a 14 anos estão na escola. Mas a verdade é que a essa altura era de se esperar melhor desempenho na questão da qualidade do ensino. De braços com esta questão, estão o problema da evasão escolar e o da repetência. Conforme o relatório, entre mais de 100 países monitorados o Brasil ocupa a 88ª posição no ranking de desenvolvimento da educação. Estamos muito atrás dos demais países latino-americanos.

A situação atual é de crise. Dizem que toda crise representa uma oportunidade de empreender algo novo. Mas, afinal de contas, estamos tentando resolver o problema da educação básica ou continuamos a utilizar artimanhas ou remendos? Nada demonstra de modo mais irrefutável a deficiência da educação básica do que o fato de os alunos das escolas públicas necessitarem dum sistema de cotas para concorrer a vagas nas universidades públicas. Há décadas a sociedade reconhece que este é um problema sério. Bem, agora os alunos contam com um “empurrãozinho” para o ensino superior público! Perguntamos: educação é só uma questão de ingresso? O que estamos vendo é que muitos alunos ingressam em cursos superiores sem capacidade lógico-matemática nem gramatical, enfim, sem formação básica para aprofundar qualquer tema.

Como a educação se tornou um problema político, não podemos deixar de observar que nossos governantes comportam-se em relação à educação como o Dr. Frankenstein de Mary Shelley, ou seja, recusando-se a assumir responsabilidade pela sua criação. Outro problema a enfrentar é a apatia geral que contamina todos os serviços públicos onde não se quer nem ouvir falar em mudanças. E, por fim, devemos reconhecer o traço mais cultural do problema. Oliveira Lima, o historiador de D. João VI no Brasil (1908), concluiu que, já no tempo do Rei, a “grande massa” era refratária a estudos mais sérios. Mudou tanta coisa assim de lá para cá? Sim, parece que agregamos violência a um problema antigo: basta ver o comportamento de “estudantes” que, além de não se interessar em aprender, atacam professores, destroem salas de aulas e escolas, orgulhosos da própria ignorância.

A questão da universalidade da instrução pública foi enfrentada com programas de Estado como o “Toda Criança na Escola” e o Bolsa-Escola (hoje Bolsa-Família). Agora, além duma ampla discussão pedagógica sobre qualidade e investimento na formação dos professores, precisamos dar atenção especial aos adolescentes através de políticas conjuntas de educação e renda que ampliem, por exemplo, o acesso ao primeiro emprego e o número de vagas nas escolas técnicas federais.

Marco Antônio Bomfoco

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