(re)inventando a educação

novembro 19, 2008

Ensino de qualidade na escola pública: meta ou utopia?

“Toda a vida do homem se faz em educação e por educação.” (Anísio Teixeira)

 Não há dúvida que hoje temos um grande desafio na área da educação: precisamos elevar a qualidade do ensino da escola pública e ao mesmo tempo adequar o ensino à Era da Informação. Esta realidade exige que sejam viabilizados projetos a curto e a longo prazo. No entanto, a escola pública não avançou em nada nos últimos anos. Ainda assim, nem todos parecem dar-se conta do problema. É desanimador reconhecer que não ocorre uma grande discussão na sociedade que poderia viabilizar a transformação desta realidade.

 

O fracasso do ensino na escola pública vem sendo demonstrado pelos resultados de avaliações nacionais e internacionais. Note-se igualmente que o desempenho da escola particular vem caindo nos últimos anos. Pode-se dizer que especialmente quando o desempenho da escola particular é comparado ao que ocorre em outros países ela não apresenta o nível elevado que se esperaria. Pedro Demo, da Universidade de Brasília, notou em um estudo de 2007 que também há sinais de crise na escola particular. Não se pode dizer, ademais, que o que ocorre na educação em geral seja uma catástrofe silenciosa. Todavia não há consenso sobre como chegamos nessa situação nem sobre as possíveis soluções para o problema. Certamente um dos motivos da péssima qualidade do ensino é que a educação básica não é prioridade no Brasil. Para piorar as coisas, o sistema educacional, que é refém de um centralismo sem sentido nos dias de hoje, tolera novas idéias em uma escala mínima e procura reduzir as pressões por mudanças mais amplas. Na verdade, o estado se faz presente de tempos em tempos no ensino para criar mais burocracia. De certo modo, a ineficiência do ensino revela a ineficiência social do governo.

É quase um lugar-comum reconhecer que na questão da qualidade do ensino, em relação a países mais industrializados, o Brasil está há décadas atrasado. Todavia em relação a países do Mercosul, como o Chile ou a Argentina, o Brasil também decepciona. Países como o Chile, cuja educação se destaca como a melhor da América Latina em exames internacionais na educação básica, tem ousado mais, experimentado mais na busca por uma maior valorização do ensino e do professor. Por que só o Brasil não pode dar certo? Qual é a questão que está por trás deste atraso? Parece evidente que falta em primeiro lugar vontade política para mudar. Além disso, o fato de mesmo as autoridades do ensino desconhecerem a história e a filosofia da educação faz com que procurem todos os dias reinventar a roda.

Na década de 1970, o educador Anísio Teixeira observou que a política educacional nos países desenvolvidos entrava em uma nova fase. Esta fase que ele denominou de política da “educação de cada um” constituía-se na superação da fase anterior a da política da “educação de todos”. Em outras palavras, a ênfase passou para a educação individualizada: o objetivo era educar não apenas todas as crianças, mas cada uma. Note-se que não se trata de uma mudança de didática, isto é, de tecnologia ou dos meios instrucionais. Não, esta é uma mudança mais ampla: uma mudança de paradigma em filosofia da educação. Afinal, quais são as perspectivas para a educação brasileira no século XXI? Não podemos dizer que atualmente o Brasil está em condições de implementar uma mudança daquela natureza, tendo em vista a política minimalista imposta pelos partidos políticos e a alienação da maior parte da população. Além disso, é interessante esclarecer que a possibilidade de uma ampla reforma no sistema educacional precisa, em primeiro lugar, enfrentar o ceticismo dos próprios administradores educacionais.

Nos anos 1990, quando a fase de expansão das matrículas alcançou seu ápice, o Brasil obteve a democratização da escola pública. Por outro lado, com o advento do ensino de massas, houve um grande impacto no sistema de ensino que repercutiu na qualidade. Naquele período, já se deveria ter iniciado o processo de valorização da educação básica. No final daquela década, pelo menos 90% da população de jovens até os 17 anos estava matriculada na escola. Este número não deve ser ultrapassado nos próximos anos, e segundo o Inep/MEC já se registra um decréscimo no número de matrículas na educação básica desde 2000. Essa realidade mostra que o momento em que vivemos é o da superação da fase de preocupação com a quantidade de alunos e com o número de escolas. É evidente que a preocupação central agora deverá ser em favor do processo de ensino e da sua qualidade.

Presentemente, devemos repensar o ensino escolar em sua função e em seus valores, trazendo o aluno para o centro da aprendizagem, o que não é uma tarefa simples. A “escola responsável” segundo Peter Drucker deve ensinar a “indivíduos” ao invés de a “estudantes”. De fato, para atingirmos este objetivo será necessário substituir o modelo de massas, que é um legado da era industrial, por um modelo mais individual de ensino. Este novo modelo deve oferecer uma maior diversidade de formas de ensino.

Uma escola responsável deverá educar cada criança e cada jovem para que possam enfrentar os desafios de viver em um mundo de interdependência e mudança. Para iniciar este processo, a escola pública deverá se transformar em uma instituição aberta, ou seja, completamente inserida na sociedade. Um dos pontos de partida será iniciar o processo de descentralização do sistema educacional. Esse primeiro passo, que irá exigir coragem, imaginação e liderança política sem precedentes, faz parte da construção de uma sociedade verdadeiramente democrática.

Referências

 DEMO, Pedro. Escola pública e escola particular: semelhanças de dois imbróglios educacionais. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, vol.15, no.55, Rio de Janeiro, Abr./Jun. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ensaio/v15n55/a02v1555.pdf

DRUCKER, Peter. Sociedade Pós-Capitalista. São Paulo: Pioneira, 1993, p. 151-163.

TEIXEIRA, Anísio. Educação, suas fases e seus problemas. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Brasília, v.56, n.124, out./dez. 1971. p.284-286. Disponível na Biblioteca Virtual Anísio Teixeira em

[http://www.prossiga.br/anisioteixeira/eng/index.html]

 

 

novembro 13, 2008

Escola pública: onde está o compromisso com a qualidade?

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“Veja o interior das coisas. Sobre a qualidade ou o valor de nenhuma
delas te iluda “. (Marco Aurélio, Meditações)
Não somente o fracasso do ensino demonstrado pelos resultados de avaliações nacionais e internacionais (por exemplo, o Pisa*), mas também o desafio de adequar-se à Era da Informação exige que sejam viabilizados projetos a longo prazo para a escola pública. Precisamos, mais do que nunca, de novos modos de pensar, novas maneiras de ensinar, novas idéias, novos livros, novos experimentos para transformar esta realidade.

No entanto, nosso sistema educacional tolera novas idéias em uma escala mínima e procura reduzir as pressões por mudanças mais amplas. Basta observar o nível e o comportamento das pessoas que são comumente escolhidas por nossos políticos para ocupar os altos cargos da educação para perceber que não há interesse nenhum em questionar o status quo em educação. Para piorar as coisas, a maioria desses bozos, que nunca gerenciaram nada, em geral insistem pateticamente em instituir algo como um ISO na educação, o que é uma rematada bobagem. Parece até que os secretários de educação do Brasil são fabricados em série e se utilizam do mesmo kit de idéias bizarras para executar seu “trabalho”. De fato, no quadro mais amplo, o governo atual já está aí há quase oito anos e não fez absolutamente nada para garantir a melhoria da qualidade do ensino. Só há propaganda que serve para jogar poeira nos olhos da população. Na verdade, vamos terminar onde sempre estivemos: entre os últimos países do mundo em matéria de educação e cultura.

É quase um lugar-comum reconhecer que na questão da qualidade do ensino, em relação a países mais industrializados, o Brasil está há décadas atrasado. Todavia em relação a países do Mercosul, como o Chile ou a Argentina, o Brasil também decepciona. Países como o Chile, cuja educação se destaca como a melhor da América Latina em exames internacionais na educação básica**, tem ousado mais, experimentado mais na busca por uma maior valorização do ensino e do professor. Por que só o Brasil não pode dar certo? Qual é a questão que está por trás de nosso atraso? É evidente que falta a nossas autoridades, entre muitas outras coisas, um conhecimento mínimo da história da educação no Brasil e no mundo. O que, aliás, como ressaltam os eruditos italianos N. Abbagnano e A. Visalberghi, na introdução à sua magistral História da Pedagogia, não se trata de mera curiosidade arqueológica, mas, sim, de uma “necessária iluminação dos problemas atuais mediante o estudo de suas origens e das soluções ensaiadas no curso dos séculos“. Tal conhecimento se faz necessário, já que, como alguns comentaristas ressaltam, o fato de desconhecer a educação faz com que as autoridades procurem todos os dias reinventar a roda.

Na década de 1970, o educador Anísio Teixeira observou que a política educacional nos países desenvolvidos entrava em uma nova fase. Esta fase que ele denominou de política da “educação de cada um” constituía-se na superação da fase anterior a da política da “educação de todos”. Em outras palavras, a ênfase passou para a educação individualizada: o objetivo era educar não apenas todas as crianças, mas cada uma. Note-se que não se trata de uma mudança de didática, isto é, de tecnologia ou dos meios educacionais ou instrucionais. Não, esta é uma mudança mais ampla: uma mudança de paradigma em filosofia da educação. Afinal, quais são as perspectivas para a educação brasileira no século XXI? Não podemos dizer que atualmente o Brasil está em condições de implementar uma mudança daquela natureza, tendo em vista a política minimalista imposta pelos partidos políticos e a alienação da maior parte da população.

No Brasil, a fase de expansão das matrículas na escola pública alcançou seu ápice nos anos 1990. No final daquela década, pelo menos 90% da população de jovens até os 17 anos estava matriculada na escola. Este número não deve ser ultrapassado nos próximos anos, e segundo o Inep/MEC já se registra um decréscimo no número de matrículas na educação básica desde 2000. Essa realidade mostra que o momento em que vivemos é o da superação da fase de preocupação com a quantidade de alunos e com o número de escolas. É evidente que a preocupação central agora deverá ser em favor do processo de ensino e da sua qualidade. Na verdade, a dicotomia quantidade vs. qualidade no ensino é falsa. Seja como for, muito pouco foi feito pela qualidade do ensino naquele período.

Presentemente, devemos repensar o ensino escolar em sua função e em seus valores, trazendo o aluno para o centro da aprendizagem, o que, diga-se de passagem, não é uma tarefa simples. A “escola responsável” no dizer do escritor Peter Drucker deve ensinar a “indivíduos” ao invés de a “estudantes”. Certamente para atingirmos este objetivo será necessário substituir o modelo de massas, que é um legado da era industrial, por um modelo mais individual de ensino, que ofereça uma maior diversidade de formas de ensino. Sabemos, porém, que inovações institucionais básicas levam décadas para se concretizar. De fato, não podemos nos iludir pensando que entre nós esta mudança será fácil, pois, entre outras coisas, como Teixeira observou, as nações industrializadas iniciaram esta tarefa no relativo “sossego do passado”, enquanto nós teremos de realizá-la na confusão de um mundo pós-moderno e globalizado.

A filósofa alemã Hannah Arendt concluiu sua reflexão sobre a crise na educação em nosso tempo afirmando que a educação é “o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele.” Nós brasileiros estamos preparados para assumir tal responsabilidade? Infelizmente, nossas autoridades continuam brincando com a coisa mais preciosa de todas: o futuro de nossas crianças e adolescentes. Uma escola responsável deverá educar cada criança e cada jovem para que possam enfrentar os desafios de viver em um mundo de interdependência e mudança. Para iniciar este processo, a escola pública deverá se transformar em uma instituição aberta, ou seja, completamente inserida na sociedade. Um dos pontos de partida será iniciar o processo de descentralização do sistema educacional. Esse primeiro passo, que irá exigir coragem, imaginação e liderança política sem precedentes, faz parte da construção de uma sociedade verdadeiramente democrática.

Marco Antônio Bomfoco

* The OECD Programme for International Student Assessment (PISA) (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Ver site: [http://www.pisa.oecd.org/]

** Veja a reportagem da Folha de São Paulo de 03/09/2008: [http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u441170.shtml]

Referências

ABBAGNANO, N. & VISALBERGHI, A. Historia de la Pedagogía. México-Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2003.

ARENDT, Hannah. Entre o Passado e o Futuro. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1992.

DRUCKER, Peter. Sociedade Pós-Capitalista. São Paulo: Pioneira, 1993, p. 151-163.

TEIXEIRA, Anísio. Educação, suas fases e seus problemas. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Brasília, v.56, n.124, out./dez. 1971. p.284-286. O texto pode ser acessado na Biblioteca Virtual Anísio Teixeira em[http://www.prossiga.br/anisioteixeira/eng/index.html]

 

O desafio da participação na escola pública

Filed under: Uncategorized — Marco Antônio Bomfoco @ 10:39 pm
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classroom   

 

 

 Na última década, houve crescente aumento no atendimento escolar na educação básica. Segundo a publicação Geografia da Educação Brasileira (Inep/MEC)*, em 2000 atendeu-se 96,4% da população na faixa de 7 a 14 anos e 83% da população de 15 a 17 anos. Esses dados demonstram que aparentemente há instrução para todos.

 No entanto, desde 2000 mantém-se uma tendência de queda no número de matrículas na educação básica. Por exemplo, o Censo Escolar 2006 mostra que houve um decréscimo de 0,9% no número de matrículas em relação a 2005, o que equivale a mais de 500.000 alunos. Em parte, a redução da demanda deve-se à diminuição dos índices de natalidade. Por outro lado, a tendência histórica de capacidade de absorção do sistema vem diminuindo.

 Para averiguar o real alcance do atendimento escolar, deve-se indagar sobre a expectativa de conclusão e sobre a qualidade do ensino. Em relação à expectativa de conclusão, na análise em separado para os dois níveis da educação básica, vemos que 41% dos estudantes não terminam o ensino fundamental, enquanto 26% não terminam o ensino médio. Sendo assim, é contraditório sustentar que se atende a quase 100% da população que demanda educação fundamental quando se divulga que a eficiência final, ou seja, a expectativa de conclusão atinge somente 59% dos alunos. Certamente, o abandono escolar leva-nos a questionar por que não se conduziram programas eficientes para aprimorar a qualidade da educação e sanar em parte o problema.

 Quanto à qualidade da educação básica, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) demonstra que os resultados efetivos da escolarização são deploráveis. Diante disso, não podemos deixar de perguntar: se crianças pequenas são naturalmente capazes de aprender e descobrir coisas com facilidade, por que ao ir para a escola encontram tantas dificuldades? Na realidade, baixa qualidade de ensino e altas taxas de evasão escolar apontam para o desafio de remodelar o ensino público.

 Superada a fase de ampliação de matrículas, é agora o momento de aprofundar o debate sobre a qualidade do ensino. Em um processo de crescente democratização, a escola pública deve dar conta de seu desempenho para toda a sociedade através da articulação com os diversos setores da sociedade. Parece-nos, portanto, que um dos principais desafios é o da descentralização das decisões: o desafio da participação social. Para possibilitar a participação e estabelecer o debate sobre a qualidade, deve-se partir da criação de novos espaços para discussão e decisão para os pais e de comissões não-governamentais formadas por cidadãos alheios aos interesses do setor. Acima de tudo, é mister compreender que as decisões não cabem somente ao Estado nem tampouco as interpelações devem partir unicamente dos sindicatos.

  

* Estas estatísticas estão disponíveis no site do INEP: [http://www.inep.gov.br/estatisticas/]

Artigo publicado no jornal Zero Hora, de Porto Alegre – RS, em 01 de outubro de 2007 N° 15383. Siga o link:

http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a1634188.xml&template=3898.dwt&edition=8536

Educar para a democracia ou para o mercado?

Filed under: Uncategorized — Marco Antônio Bomfoco @ 10:33 pm
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schoolsburkinafasoboywritingNos últimos anos, como resultado do pragmatismo da sociedade moderna, vem ocorrendo a redução da fronteira entre educação geral e educação profissional. Neste contexto, assistimos a uma crescente necessidade de especialização imposta pelo mercado de trabalho, que termina por descaracterizar a formação geral do estudante, propiciando até mesmo certo desinteresse pelo exercício dos valores democráticos.

 Vista como escoadouro para o mercado ou para a universidade, a escola enfrenta todo tipo de pressões. Em 2007, o péssimo desempenho de nossa educação da rede pública ficou demonstrado quando o Brasil obteve o 52º lugar dentre os 57 países pesquisados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). De fato, o país não avançou em relação à avaliação do Pisa em 2003, permanecendo quase no último lugar. Isso aconteceu porque  nossos estudantes são incapazes de compreender os rudimentos da matemática e de ler e escrever na própria língua. Para piorar as coisas, recém egresso de uma educação básica ineficiente, o estudante é prontamente admitido na educação superior que, especialmente no caso do ensino particular, está cada vez mais entregue à ditadura do mercado. Não faltam avaliações para conhecermos o desempenho dos alunos e das escolas, mas os dirigentes educacionais esquecem que as avaliações devem servir para mudar a escola.

 Apesar de reconhecida por todos como indispensável para o desenvolvimento econômico, a educação ainda não recebeu a atenção devida por parte da elite política. Só para ficar no Rio Grande do Sul, partidos de todas as ideologias já ocuparam o Piratini nas últimas décadas, e nenhum deles fez da educação uma prioridade clara de governo. O mesmo pode ser dito do governo federal. Por outro lado, países que investiram pesadamente na educação, como Coréia do Sul, Taiwan e Singapura, têm crescido na ordem de 7% ao ano. Sabe-se que quando se cresce nesta ordem o rendimento do país duplica de dez em dez anos. O investimento no capital humano não é condição suficiente para o desenvolvimento, porém é onde o processo criativo começa.

 Em sociedades governadas pelo mercado, cada vez mais populações inteiras são reduzidas a forças de trabalho. Mas não devemos identificar desenvolvimento com obediência escrava a leis de mercado que beneficiam há anos alguns poucos países. O ponto de partida é acreditar que todos os contextos sociais criados pelo homem podem ser aperfeiçoados. Para tanto, precisamos de uma educação que forme em primeiro lugar cidadãos, e não apenas operários qualificados. Que sejam verdadeiros profissionais: criativos e capazes de novas idéias e de propor novas formas de olhar para velhos problemas. Estes só podem vir de uma escola e de uma universidade nas quais a formação geral básica seja fortemente buscada.

 Marco Antônio Bomfoco

 [http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a1912310.xml&template=3898.dwt&edition=9969&section=101]

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